Klauss Vianna. Foto: Arquivo

klauss vianna

A trajetória da família Vianna, desde Minas Gerais, passando pela Bahia, pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, contribui para o resgate da história da dança no Brasil.

A pesquisa de Klauss Vianna (1928-92) começou na década de 1940. Ele baseou-se na relação das direções ósseas do balé clássico, com as direções das linhas sugeridas nas obras de diversos artistas plásticos. Esta observação o fez buscar estudos anatômicos e cinesiológicos, experimentando uma nova forma de ensinar a dança.

Seus ensinamentos foram postos em prática inicialmente em Belo Horizonte, sua terra natal, onde fundou o Balé Klauss Vianna (hoje dá nome a um teatro); em 1962 na Bahia, na Escola de Dança da Universidade Federal - UFBA; em 1964 no Rio de Janeiro, onde trabalhou na Escola Municipal de Bailados, ao mesmo tempo em que desenvolveu um intenso trabalho com atores, repercutindo-lhe, em 1977, o 1º Prêmio Moliére cedido a um preparador corporal em teatro, inédito à categoria até então.

Ainda no Rio de Janeiro, dirigiu a Escola Oficial de Teatro Martins Pena e o Instituto Estadual das Escolas de Artes. Em 1981 fixou-se em São Paulo, onde foi diretor da Escola Municipal de Bailados e do Balé da Cidade de São Paulo.

No dia 12 de abril de 1992, Klauss Vianna faleceu em São Paulo, deixando muitas marcas pelo Brasil. Propôs mudanças no contexto da dança, sempre experimentando novas idéias, estimulando, com sua própria inquietação, todos que com ele conviveram. Foi um grande semeador no campo das artes cênicas em geral.

Angel Vianna. Foto: Christian Laszlo

Angel Vianna, sua parceira de vida e trabalho, vive no Rio de Janeiro, onde desenvolve um intenso trabalho como diretora da Escola Angel Vianna, destinada à formação profissional em dança e como diretora da Faculdade Angel Vianna que oferece o curso superior de dança. É admirável a energia desta artista e pedagoga do corpo que, com mãos zelosas, continua plantando, diariamente, a dança neste país.

No início de 1992, Klauss e seu filho Rainer Vianna (1958-95) fundaram, em São Paulo, a Escola Klauss Vianna, que oferecia o curso de formação profissional na Técnica Klauss Vianna. Este curso acolhia, não só bailarinos, mas artistas em geral como: músicos, atores, cantores etc, pois a Técnica Klauss Vianna possibilita o estudo do movimento expressivo em diversas áreas de atuação.

Klauss Vianna não se preocupou em sistematizar a sua pesquisa de ensino. Este papel coube ao seu filho Rainer que elaborou com a colaboração de sua esposa Neide Neves, a estruturação didática dos princípios trabalhados em sala de aula resultando no que nomeou de Técnica Klauss Vianna. Além de todas as obras artísticas realizadas por Rainer Vianna, como bailarino, diretor e preparador corporal, ele teve esse importante papel na sistematização da Técnica Klauss Vianna.

Angel Vianna. Foto: Christian Laszlo

Como professora, pesquisadora e colaboradora, Jussara Miller passou a trabalhar ao lado de Rainer, participando do processo didático da Técnica Klauss Vianna, na Escola Klauss Vianna. Infelizmente, com o súbito falecimento de Rainer, em agosto de 1995, a Escola Klauss Vianna fechou as portas.

Com a prática e os ensinamentos vivenciados na Escola Klauss Vianna como professora do curso de formação profissional da Técnica Klauss Vianna, Jussara Miller expandiu a sua pesquisa didática e criativa para um estudo acadêmico de Mestrado em Artes/UNICAMP com o registro inédito da sistematização da Técnica Klauss Vianna, o que resultou no livro: “A Escuta do Corpo. Sistematização da Técnica Klauss Vianna” Summus: 2ª ed., 2007. Em 2010, concluiu o Doutorado/UNICAMP com a reflexão sobre os desdobramentos da pesquisa dos Vianna, nomeando como “Escola Vianna” este pensamento sobre o corpo, o que resultou no livro: “Qual é o corpo que dança? Dança e Educação Somática para adultos e crianças” Summus: 2012.

Em agosto de 2012, foi aberto o Curso de Especialização na Técnica Klauss Vianna, na PUC-SP, um curso de Pós Graduação Lato Sensu inédito no Brasil e no mundo. Informações e inscrições

Para saber mais:

Referências bibliográficas: